Minha homestay

homestay-australiaEu estava na última escala que ia de Sydney para Melbourne, quando o voo se atrasou consideravelmente. Deveria chegar às 21h30, mas pisei no aeroporto local à 00h20. O transfer, funcionário de uma companhia que eu havia contratado, aguardava no desembarque, segurando uma plaquinha com meu sobrenome.

O primeiro estranhamento foi sentar-me no carro dele. Dei a volta para me sentar no banco do passageiro e é claro que quase me sentei no banco do motorista. Na Austrália a “mão inglesa” é predominante e, apesar de saber disso antes de viajar, o costume nos trai pelo menos nas primeiras dez ou quinze vezes.

No caminho fomos conversando sobre o bairro, chamado Coburg, em que iria morar com a minha homestay (casa de família). Sinceramente achei que seria mais difícil entender o que os aussies (como os australianos são chamados) falam, mas o homem já estava familiarizado com estrangeiros e, portanto, falava pausadamente e respondia às minhas reiteradas perguntas de “Can you repeat, please?” (Você pode repetir, por favor?).

Cheguei quase 1h da manhã na casa e Daniel (o chefe da família) me recepcionou. Ele não me explicou nada sobre as regras da casa, porque já estava tarde e ele teve que acordar apenas para indicar o meu novo quarto. Aliás, ótimo quarto. Uma cama de casal só pra mim, um armário todo espelhado, aquecedor, mesa com cadeira e luminária. Perfeito. Fui direto dormir, mas minha excitação demorou um pouco a passar. De qualquer forma, foi bom poder descansar bem, após tanto tempo em poltronas de avião.

No dia seguinte conheci Rebecca, que gosta de ser chamada de Becci (pronuncia-se Béqui). Ela e Daniel são casados, sem filhos e estão na faixa dos 30 anos (bem jovens para o padrão de homestay). Eles recebem três estudantes ao mesmo tempo, pois a casa é grande. Então, no período em que fiquei na casa conheci Annie, uma chinesa de 23 anos, e Daisy, alemã de 25 anos que logo foi embora dando lugar a Danna, uma sul coreana de 21 anos.

Infelizmente o casal não gosta de tirar fotos, portanto, não tenho nenhuma para colocar aqui. Mas devo dizer que eles são super solícitos. Me perguntaram o que geralmente os brasileiros comem no café da manhã e eu falei pão, presunto, queijo, café, leite, frutas, enfim… no dia seguinte havia presunto e queijo na geladeira (fofos).

No início estranhei a comida, porque Rebecca e Daniel utilizam apenas produtos orgânicos, ou seja, tudo sem agrotóxico. É claro que é mais saudável, mas eles também pagam mais caro por isso. Às vezes parece que não utilizam muitos temperos, mas isso é questão de costume. Além disso, eles preparam refeições com carne apenas quatro vezes na semana, não sei se por economia (a carne bovina é bem cara por aqui), por dieta, ou por  filosofia de vida. De qualquer forma, aprovei as comidinhas.

A internet não está inclusa no valor que pagamos para a homestay, por isso paguei 10 dólares por semana para utilizar a rede no meu laptop. Só então consegui conversar com a minha família no Brasil, com muita facilidade mesmo tendo o fuso horário de 13 horas a mais. As regras da casa são simples como: banho com duração máxima entre 5 e 10 minutos, não dormir com o aquecedor ligado, colocar você mesmo suas roupas na lavadora e secadora, e avisar se vai se atrasar para o jantar. Todas compreensíveis por questões de economia e praticidade.

Algumas casas de Melbourne parecem ser de papel. A casa da minha homestay tem o térreo e mais dois andares, eu ficava no andar do meio, portanto escutava tudo. Se a pessoa do andar de cima acordasse eu também acordava porque escutava gavetas e portas de armário se abrindo e fechando, além dos passos, é claro. Do último andar dava para escutar a máquina de lavar que ficava no térreo e às vezes achava que tinha alguém em casa, mas depois descobria que os barulhos vinham das casas vizinhas porque elas são geminadas.

Senti falta de coisas como forno de microondas (porque tudo o que tinha que esquentar, acabava colocando na frigideira) e televisão (pois é, minha homestay não tinha nenhum aparelho de TV). Por este motivo, talvez, a família fique um pouco distante dos estudantes que acomodam, pois os intercabistas estudam de manhã e voltam para casa geralmente na hora do jantar, único momento de reunião com a família. Ou seja, eu tinha apenas uma hora para falar com eles, porque logo depois do jantar cada um ia para seu respectivo quarto. A televisão poderia ser um motivo para interação entre os moradores da casa. Nesse aspecto, para o intuito de praticar inglês, a minha homestay não deu muito certo.

tram-melbourneCom relação ao transporte, há uma parada de tram (não, não é “trem” – é “tram” mesmo, e é na verdade um bonde) a apenas duas quadras da casa e em cerca de 25 minutos chego à minha escola, que fica no centro da cidade. À noite a iluminação dos bairros de Melbourne não é muito boa. Apenas no centro e nas avenidas é possível caminhar sem se preocupar com a escuridão. No inverno, por exemplo, as ruas já estão praticamente no breu às 18h, portanto, se você tiver medo do escuro, vá cedo para casa.

Apesar disso, percebi que Coburg é um bairro tranquilo e seguro, com o único defeito de não ter comércio e mercados por perto.

O saldo final é que valeu muito a pena conviver com australianos nas primeiras semanas de estadia em Melbourne.

*Enquanto vocês estão lendo isto, na data de hoje, já estou em uma nova casa, pois a minha estadia com a homestay em Coburg encerrou em 20 de junho. Em breve descreverei este novo lugar, onde pretendo ficar até o fim da viagem, e também as dificuldades e as angústias até conseguir encontrar uma nova estadia, com o prazo se esgotando.

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15 thoughts on “Minha homestay

  1. Oi Deise,
    Estou acompanhando seu blog e estou gostando bastante, parabéns!!
    Queria perguntar sobre esse transfer que vc contratou, é o da escola? Vc pode informar qual a empresa?
    Muito legal sua experiência com a homestay, espero ter a mesma sorte que vc!!
    Obrigada!!! 🙂

  2. Que bom que você está acompanhando o blog. Eu contratei o transfer diretamente com a agência que fechei o intercâmbio, mas foi a escola da Austrália que ofereceu o serviço. O nome da empresa é: Young HONG. Aqui vão os contatos: Email: youngpyo.hong@fusionenglish.com.au
    Free call: 1800 005 999
    Ph: +61 3 9654 7786 | Fax: +61 3 9639 0969
    E pra você que planeja vir pra cá, continue lendo os posts. Abraço!

    • Deise, muito obrigada pelo retorno e pelos contatos!!
      Se der tudo certo com meu visto, chegarei em Melbourne dia 01/08!!!
      Abraço 🙂

  3. Olá Deise, adorei o blog. Esclareceu muitas coisas pra mim. Estou indo pra Melbourne no final dessa semana. Agora você está morando em uma share house? É muito difícil achar lugar pra dividir com alguém?

    • Fico feliz por ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre os problemas que nós intercambistas passamos por aqui. Estou morando em uma Unilodge, um espaço específico para estudantes estrangeiros. Divido o apartamento com mais três pessoas no centro da cidade. Ainda vou fazer uma matéria sobre o assunto, mas você pode encontrar mais informações no site: http://www.unilodge.com.au/
      Não é difícil achar alguém que queira dividir o apartamento, mas caso você não conheça ninguém, você pode conhecer uma das unidades da Unilodge que eles lhe informam se há vagas. Abraço.

  4. Oi Deise !!! Adorei a sua materia!!! Fico muito feliz que esteja aproveitando muito a Aussie Land ! Um beijão e manda noticias !

  5. Olá Deise seu blog está sendo muito útil p mim, valeu mesmo!!
    Vc acha realmente importante iniciar em uma homestay?
    Se for diretamente para uma Unilodge ou share house economizarei com transporte pq são no centro e perto das escolas, certo?
    Vale a pena ficar sem o conforto da homestay e a praticidade que ela traz?
    bjo!!

    • Fico feliz em poder ajudar. Com certeza a experiência em uma homestay vale a pena, no entanto depende muito de cada família. Às vezes elas só aceitam estudantes porque é bem lucrativo e não dão devida atenção aos intercambistas. Acho que dá para passar os seus primeiros dias em uma share house, mas uma Unilodge, por exemplo, tem que ter o contrato de no mínimo 6 meses. Resumindo, uma homestay não é essencial e se for pensar em termos de dinheiro, uma share house é ideal. De qualquer forma, não posso falar sobre a experiência de uma share house porque nunca fiquei.
      Espero te auxiliar mais nas próximas matérias. Abraço!

  6. Deise, homestay só para estudantes ou até que aceitam turistas? Estou indo p/ Melbourne em janeiro e ficarei 19 dias… Se vc puder tirar minha dúvida, agradeço.

    • Maria Luiza acho difícil encontrar uma família por conta própria ou por indicação. Ter um intermediário que irá te explicar tudo (desde o ponto de ônibus mais perto até como cumprimentar os australianos) é muito importante. Ainda assim, talvez você possa conseguir mais informações sobre hospedagem em casa de família através do site http://www.airbnb.com.br, que funciona no mundo inteiro.

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