Curiosidades II – Transporte e acessibilidade

Antes de vir para a Austrália eu não sabia que os transportes de cada país poderiam variar tanto em suas particularidades. Mesmo no Canadá, não tinha visto nenhuma diferença absurda com relação ao que temos em São Paulo. Ou talvez o fato de estar do outro lado do mundo faça tudo parecer ser realmente diferente.

Vou apresentar aqui as minhas impressões sobre o transporte público australiano, mais especificamente em Melbourne.

Em Melbourne não há metrô, mas nem é tão necessário. Os meios oferecidos são muitos: ônibus, trem, bonde elétrico (tram), táxis, bicicleta, e até cavalos ou barcos.

Uma das vantagens oferecidas pelo tram são os visores no ponto de espera, que mostram o tempo que falta para chegar o próximo, além de indicar aos portadores de necessidades especiais os “carros” adaptados. A acessibilidade aqui, aliás, é levada muito a sério, e por toda a cidade há rampas de acesso nas calçadas, mesmo nos bairros mais distantes. Os visores mencionados, entretanto, são encontrados apenas na área central. Por isso foi disponibilizado um aplicativo de celular chamado Tram Tracker, que apresenta uma lista dos pontos de espera mais próximos ao usuário e em quantos minutos o tram chegará. Não é necessário saber o nome do ponto, apenas o número, que é mais fácil de decorar. Se você quer ir de um lugar a outro basta saber que você está no ponto 29, por exemplo, e deve parar no 44, salientando que nem sempre os pontos seguem uma ordem sequencial.

Os trens também funcionam diferentemente do Brasil. Na mesma linha podem passar muitos trens e é fácil se confundir, pegando um trem com destino diferente do desejado. Nas plataformas há televisões que informam o destino e o horário que o seu trem deve chegar. Dependendo da estação em que você estiver (se não for uma das estações principais), você pode esperar até uma hora. Além disso, as portas dos vagões não abrem sozinhas, e é preciso uma mãozinha, ou para empurrar a maçaneta ou para apertar o botão. Caso você não o faça, a porta não abrirá. Conheço uma pessoa que perdeu o último trem porque estava cheia de malas nas mãos e achava que a porta abriria sozinha. Quando descobriu que ela mesma tinha que abrir, o trem já estava indo embora. (E não, essa pessoa não fui eu, apesar das minhas outras “aventuras” por aqui.)

Outro ponto curioso são os assentos que podem variar de um trem para o outro, mas a maioria das vezes são dois de um lado e três do outro, às vezes parecendo assentos de um avião. Algumas estações de trem mais antigas têm suportes mais arcaicos, como este equipamento da foto abaixo. Apertando o botão vermelho o usuário poderá falar com um funcionário para pedir explicações e o botão verde informa em quanto tempo falta para o próximo trem chegar.

 informacoes-melbourne

Voltando às ruas, os semáforos podem ser bem confusos porque não funcionam apenas para os automóveis e pedestres, mas também para os trans (representado pelo T) e para os ciclistas. Por falar em bicicleta, há faixas próprias para os ciclistas nas ruas principais de Melbourne e nem é preciso ter uma bicicleta para utilizar a faixa, você pode alugar uma e devolver em outro ponto da cidade por AU$ 2,70 e mais AU$ 5,00 o capacete (que é obrigatório na Austrália). Pela primeira meia hora s’ao cobrados AU$ 2,70.

A faixa de pedestre é outro importante assunto, já que atravessar fora dela constitui uma infração na Austrália (isso apenas se um fiscal ver o pedestre cometendo esta ação). São duas faixas transversais paralelas entre as quais está o espaço para os pedestres atravessarem as ruas.

 faixa-de-pedestre-melbourne

Já as motos são quase peças de museu. E esta é uma diferença abrupta para quem vem do Brasil. Especialmente de São Paulo. São tão difíceis de se ver por aqui que até me assusto quando vejo uma. Não tem ninguém “cortando” o trânsito, pois os motoqueiros esperam o semáforo abrir como se fosse carros e, como quase não existem motos, não há vagas para elas, então são estacionadas na calçada mesmo, dividindo o espaço com os pedestres. Até o momento eu, que não entendo absolutamente nada de motos, o que mais vi foram os modelos mais antigos, com o que chamo de aparência retrô. Acho até bonito de ver.

Com relação aos cavalos, meus amigos, para um simples passeio é necessário desembolsar uma boa quantia, pois embora sirvam, de fato, como meio de transporte, acabam sendo mesmo um artigo de luxo para momentos especiais ou para turistas mais abastados. As charretes custam AU$ 60 meia hora e AU$ 100 uma hora. Não sei se há lei que impeça alguém de cavalgar pela cidade com sua própria montaria, mas isso não ocorre muito por aqui, e acho difícil que algum leitor deste blog – especialmente os intercambistas – venham para cá com seus alazões.

Por fim, outro meio de locomoção bem alternativo são os barcos que navegam pelo Yarra River e também podem oferecer um bom passeio turístico. São cobrados diferenciadamente, dependendo de onde você quer ir e em quanto tempo.

E você? Já escolheu de que jeito quer conhecer Melbourne?

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