Em busca de emprego

cafe-treviProcurar emprego parecia ser uma tarefa fácil antes de vir para a Austrália. Todos (sem exceção) diziam que, como todo mundo estava no “mesmo barco”, um intercambista ajudaria o outro, indicando locais pra trabalhar ou até mesmo oferecendo a própria vaga se estivesse de retorno para o Brasil. Também me informaram que a escola forneceria um mural de informações ou vagas de empregos pela FanPage do Facebook. No fim das contas, você só vai saber da verdade quando estiver aqui.

Não é mentira que as pessoas conseguem emprego por indicação. Isso não acontece só no Brasil, mas encontrar uma vaga pode acontecer por muita dedicação, ou, ainda, por sorte, ou seja, encontrar a pessoa certa na hora certa. No final desta página indico algumas opções de sites onde podem ser procuradas vagas de emprego, um dos quais eu mesma acessava diariamente: o Gumtree, a página virtual mais conhecida para buscar trabalho, lugar para morar e afins.

pizza-australiaAntes eu acreditava que era impossível conseguir uma entrevista só passando pelo estabelecimento, entregando currículo e falando que tinha experiência no Brasil como garçonete. Mas consegui fazer mais duas entrevista desta forma. Levei cerca de um mês e meio, 40 folhas de currículo e muitas lágrimas até encontrar o meu primeiro emprego. Até então eu já estava tendo que recorrer à minha reserva de dinheiro no Brasil para poder pagar minhas contas, inclusive o aluguel da casa que eu já tinha que pagar depois da minha saída da homestay. A recepcionista da escola Fusion English já não aguentava ver a minha cara pedindo toda semana para imprimir mais currículos.

Logo eu, que sempre fui uma pessoa tão positiva e pra cima, comecei a me tornar triste e negativa, chorando à toa, e inconformada com o fato de que pessoas que nem conseguiam falar inglês já tinham conseguido empregos por indicação e eu, que procurava mais (na raça mesmo), não conseguia nada. Morar fora do seu país tem esses problemas: pagar todas as contas sozinhas e enfrentar tudo sem ninguém por perto. Assim fui ficando amarga durante aquele período e, mesmo com o suporte das pessoas no Brasil ou aqui na Austrália, era difícil acreditar que eu não conseguisse uma simples vaga de garçonete ou até de limpadora de privada.

No começo eu havia feito um currículo com todas as minhas habilidades profissionais verdadeiras, mas é claro que não daria certo. Quem é que vai dar emprego para uma jornalista com mestrado para ser camareira de um hotel, por exemplo?

Enfim, “inventei” um currículo, estruturado no modelo que uma agência daqui havia me passado, e fui pra rua. Assim consegui o meu primeiro emprego. Como garçonete. É verdade que eu não conseguia segurar cinco pratos de uma vez como os garçons fazem por aqui, mas aos poucos fui conseguindo carregar três (meu recorde até agora).

Essa conquista amenizou a minha fase de desespero, mas logo vi que eu estava longe de ficar realmente “tranquila”. Meu chefe era um italiano bravo e ranzinza. Gostava de discutir por qualquer coisa, inclusive em frente aos clientes. O salário era de AU$ 13/hora (abaixo do mínimo para este emprego, que é de AU$ 15) e ainda me davam dias esporádicos, às vezes três dias na semana, às vezes dois, o que não era o suficiente para me sustentar. Aos poucos fui conquistando espaço, chegando a trabalhar cinco dias na semana, embora meu chefe ainda “aprontasse” comigo. Por exemplo, ele dizia “venha trabalhar amanhã” e quando eu chegava, de uniforme e tudo, ele dizia “pode ir pra casa, não precisamos hoje de você”. Com isso eu perdi diversos finais de semana, sem receber e sem poder sequer reclamar.

E mais: o teste de duas horas obrigatório antes da “contratação” deve ser pago, mas antes mesmo de eu começar lá eles já diziam que não pagavam essas horas. Pior: o segundo dia que trabalhei por oito horas nunca foi pago, ou seja, perdi AU$ 104 que deveriam ser pagos logo no final da primeira semana trabalhada (na Austrália esse tipo de trabalho é remunerado semanalmente e não mensalmente como no Brasil). Eles alegaram que já haviam acertado no mesmo dia, mas isso nunca aconteceu. Além disso, atrasavam o salário em quase uma semana. Resumindo a história, eu só não era escrava porque ganhava mais do que como jornalista no Brasil (se convertido o valor), mas passava por maus bocados.

O restaurante chama-se Café Trevi e fica na rua Lygon Street. Um amigo meu, também italiano, alertou-me sobre o fato de que nesta rua muitos estabelecimentos pertencem a mafiosos (literalmente) e servem apenas para lavar dinheiro. E conheci pessoas que passaram pelos mesmos problemas que eu trabalhando na mesma rua. Cuidado, portanto, caso você queira procurar uma vaga por lá.

Outro importante aspecto é a nacionalidade dos outros funcionarios, embora não pareca ser tão importante de imediato, mas preciso informar que recebemos muito pouco para trabalhar demais porque os chineses, por exemplo, aceitam qualquer emprego a qualquer preço. A maioria deles trabalha por AU$ 8 a hora e mesmo que não trabalhem tão bem, acabam conquistando empregos porque são mal remunerados e os empregadores ficam satisfeitos por lucrar um pouco mais.

Mas se, por um lado, esse trabalho me desgastava em muitos aspectos, por outro lado também me estimulava a buscar uma melhora. No tempo entre a escola e o restaurante (sobravam algumas horas no período da tarde), eu aproveitava para continuar procurando. Assim, e também graças à indicação de um amigo, consegui um novo trabalho.

Atualmente estou trabalhando num restaurante dentro de um Cassino muito conhecido aqui em Melbourne. Recebo AU$ 16,80/hora (bruto). Descontando-se a taxa que somos obrigados a pagar para o governo, recebo AU$ 14,85/hora (líquido). De qualquer forma, esse valor retido para a taxa, como se fosse um imposto de renda, é restituído todo mês de julho ou um pouco antes, caso eu não permaneça no país até lá.

Neste emprego trabalho com pessoas boas, e minha função é cortar bolos, pegar sorvete, decorar pratos doces e tudo o que for relacionado às sobremesas. Consigo pagar as contas e ainda juntar uma reserva. Mas o principal – e o que todo intercambista nas mesmas condições deve ter como foco – é que sou paga corretamente. Até o momento, o meu emprego anterior no restaurante italiano está me devendo duas semanas trabalhadas, e receio que nunca receberei este valor, porque, no fim das contas, como “visitantes temporários” temos pouco ou nenhum amparo jurídico nessas situações.

A minha experiência não foi das melhores até o momento, mas conheço pessoas que ganham AU$ 24/hora (ou AU$ 22/hora, descontada a taxa) apenas para limpar estacionamentos ou algo do gênero. Não é preciso nenhuma experiência, nem mesmo falar inglês. Até eu quero um emprego desses!

Desejo toda a sorte do mundo para quem quer encontrar emprego aqui em Melbourne porque definitivamente não é tão fácil quanto se imagina.

Sites de busca de emprego:

http://www.gumtree.com.au/

http://www.melbournecbdjobs.com/

http://jobsearch.careerone.com.au/?wt.mc_n=CRMAULite

http://www.beyond.com/

http://au.jobrapido.com/

http://www.jobsjobsjobs.com.au/

As fotos são do próprio site dos restaurantes, tripadvisor ou de jornais eletrônicos.

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15 thoughts on “Em busca de emprego

  1. Força amiga!! Deus está ao seu lado e vai te ajudar a conquistar o espaço que vc merece!! Beijoss, e sempre acompanho seu blog. Parabéns!!

  2. Oi, en quanto ao restaurante italiano, ameaçe levar seu caso ao ombudsman, as causas trabalhistas tendem a ser dadas ao trabalhador e nesse caso recuperaria os dias nao pagos, mais o salario extra que nao te pagaron, faça nao so por voce, mas por todos os outros explorados de forma indevida por esses farsantes. Sorte!

    • Antonio, já estou vendo cada detalhe disso. Não vou deixar barato mesmo, até porque soube que mais outros três ex-funcionários do mesmo restaurante estão nessa situação. Obrigada e boa sorte para você também!

  3. Oi! Eu sou brasileira e passei pela mesma coisa que você passou procurando por emprego. Mas quando eu cheguei era Dezembro, eu estava na Gold Coast (o que deveria ser fácil por causa da alta temporada) e não consegui enganar ninguém que tinha experiência de garçonete porque eu sou um desastre e quebrava um prato por dia. Mesmo tendo inglês fluente só fui achar emprego em Brisbane quando me mudei pra lá três meses depois.
    Comecei a trabalhar com cosméticos, de vendedora 100% comissionada no shopping (daquelas que param as pessoas andando perto do quisque, fazem demonstração dos produtos e vendem), e achei que não ia dar em nada – porque nunca tinha me imaginado uma vendedora antes – mas deu. Fiz uma grana boa, me mudei pra Melbourne depois de seis meses pra gerenciar o time aqui porque eles botaram fé em mim e desde fevereiro desse ano comecei a cuidar do marketing das nossas duas marcas de cosmético e do recrutamento.

    Bom to escrevendo tuuuuuudo isso só pra contar que eu ainda sou responsável por contratar vendedores em Melbourne e indicar pessoas pra trabalhar em todo o resto da Austrália (temos lojas próprias e revendedores em todas as cidades principais e todos contratam o ano inteiro pois a rotatividade de funcionários é muito grande).

    Ou seja: sabendo de gente que precisa de emprego e tope fazer qualquer coisa pode mandar meu contato! a empresa é demais de trabalhar, e 99% dos nossos vendedores são backpackers ou estudantes internacionais, a gente ajuda com acomodação e transporte também e – claro – festa.

    Tudo que a pessoa precisa ter é inglês no mínimo intermediário, desenvoltura e falta de vergonha na cara (tem que ter the guts de falar com qualquer um e o dia todo) e muita mas muita energia positiva. A gente tem brasileiro trabalhando em toda a Australia porque normalmente brasileiros são muito bons vendedores (talvez pela tamanha cara de pau, nao sei, mas funciona quase sempre).

    A gente volta e meia anuncia no seek e no gumtree, mas se quiserem acessar direto nosso recruitment website e entender melhor o trabalho vai em http://www.londonsales.com.au/jobs
    Quem quiser aplicar pra vaga clica em “apply now” preenche o formulário e eu mesma recebo as aplicações e entro em contato com as pessoas. Muito importante que como maioria dos brasileiros são estudantes eu preciso saber a availability para trabalhar.

    Espero que ajude!
    Parabéns pelo blog 🙂

  4. Achei seu texto muito legal, parabéns! Estou fazendo intercambio em Melbourne e trabalhando nas horas vagas também. Tenho uma pergunta, você sabe como faz pra pedir a restituição dos impostos descontados? Me responda por email, se possivel!
    Beijos!

    • Olá, Larissa! Vou começar o processo de restituição quando voltar ao Brasil porque o Superannuation, por exemplo, só pode ser pago quando o estudante estiver no seu país de origem. Assim que eu tiver mais detalhes devo postar uma matéria sobre isso. Desculpa te responder por aqui, mas o wordpress não permite que eu veja o seu email.

  5. Muito bom o post mas me surgiu uma dúvida.
    A agência e o departamento de imigração afirma que quando estivermos estudando, poderemos trabalhar 20 horas semanais ou 40 quinzenais.
    Sendo assim, dá mais ou menos 4 horas por dia (segunda à sexta feira), o que é muito pouco para a sobrevivência em Melbourne.
    Sendo assim, como você fazia para trabalhar mais que as horas informadas pelo departamento de imigração?
    Serei um trabalhador ilegal se eu trabalhar mais do que o permitido?
    Você pode ter dois empregos?

    Desde já obrigado!

    • Eliel, você consegue viver bem trabalhando apenas 4h por dia, mas não dá para juntar dinheiro para viajar ou comprar coisas caras. Na verdade depende de quanto o seu patrão paga porque conheci pessoas que ganhavam AU$ 24,00 por hora, então conseguiam juntar um bom dinheiro. Eu recomendo trabalhar pouco para aproveitar tudo o que Melbourne tem a oferecer porque estudar e trabalhar é duro. Tem como burlar o sistema, mas aí você e o seu chefe terão que fazer tudo por de baixo dos panos. O que você pode fazer é trabalhar registrado em um lugar e no outro não, receber só cash hand, Mas, como falei, não recomendo. É justamente nessa ilegalidade que os patrões abusam dos funcionários, dando trabalhos excessivos e pagando abaixo do valor mínimo estipulado.

      • Entendi!
        Quando você estava lá em Melbourne, você trabalhava mais que 4 horas por dia (20 h por semana)?
        Eu estou indo para Melbourne em Fevereiro ou Março/2015, mas ainda não consegui quitar todo o programa. Vou fazer um financiamento do valor e pagarei ele em 24 meses ou menos, no entanto, pretendo pagar o valor com o dinheiro que eu conseguir em Melbourne, ou seja, vou ter que tirar uma parte do salário apenas para o pagamento do programa (quero enviar o dinheiro pro Brasil para os meus pais pagarem, etc).
        Por isso, estou meio que preocupado com esta questão de trabalho, pois tentarei ficar em Melbourne até eu quitar todo o programa, para não voltar pro Brasil com dívidas.
        Gostaria de uma opinião sua que viveu lá, será que consigo me manter la e pagar essa dívida?
        O valor das prestações não é tão grande (R$ 540,00 por mês).

        Desde já obrigado!

      • Fiz isso por um tempo porque ganhava abaixo do permitido (AU$13,00 por hora) e eu não conseguia me sustentar porque ainda tinha que pagar o bond e o primeiro aluguel (o que totalizava em mais de mil dólares de uma só vez). Acho que os primeiros meses até você se estabilizar vai ser difícil, mas depois você tira de letra porque a sua dívida é em reais e você vai ter dólares (praticamente o dobro do valor), isso vai facilitar muito.

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