Política

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Já pensou se no Brasil votássemos assim? Foto: BBC

Vamos falar de política. E você deve estar pensando “que assunto mais chato!”. Tenho certeza que esta matéria não vai receber quase nenhuma visita por causa da densidade do tema, mas com as eleições que se encerraram em setembro o assunto ainda está quente e pode servir de “termômetro” para ver como a Austrália é comandada e qual pode ser o futuro dela e de seus habitantes.

rainha-elizabethMuitas pessoas se surpreendem quando digo que a Rainha Elizabeth II, rainha britânica, também é a chefe de estado da Austrália. Voltando um pouco na história australiana, os britânicos “descobriram” a terra dos cangurus em 1787 e a colonizaram basicamente com criminosos porque as celas da Inglaterra estavam superlotadas. Os aborígenes que aqui viviam foram dizimados e atualmente apenas 1% da população é aborígine. Depois desta breve explicação, dá para se saber porque os australianos são sujeitos a monarquia parlamentarista. A Rainha é importante para a imagem de uma bela Austrália, mas quem comanda mesmo são o governador geral e o primeiro-ministro. A Rainha é responsável por nomear o Governador Geral da Austrália como seu representante a partir da indicação do Governo Australiano eleito. O Governador Geral tem a obrigação de nomear os ministros a partir da indicação do Primeiro Ministro.

Assim como Brasília, Camberra também foi construída para ser a capital da Austrália, pois os governadores de Sydney e Melbourne não entravam em um acordo na pretensão de ser a capital. É por isso que Camberra (que se pronuncia “cãmbra” – que horror!) fica no caminho entre as duas cidades.

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O canguru e o o emu fazem parte do símbolo da Austrália. Os seis desenhos centrais do brasão representam os estados. Victoria é o símbolo da coroa com as estrelas

O país é dividido em seis regiões, na verdade em oito se contarmos Camberra e Tasmânia. E olha que o país é o 6º maior do mundo em extensão territorial! O Brasil, que é o 5º maior, tem 26 estados, mais o Distrito Federal. (Será que é só para ter mais políticos?)

Enfim, quem ganhou as eleições este ano foi Tony Abbott, representante do Partido Liberal australiano, (que de liberal não tem nada). Ele é contra o casamento homossexual, mesmo sua irmã sendo declaradamente lésbica. O líder do Partido Trabalhista, Kevin Rudd, que era contra a união de pessoas do mesmo sexo sabiamente tornou-se a favor dando entrevistas calorosas sobre o assunto. E Julian Assange (fundador do WikiLeaks que revelou documentos secretos de diversos governos) esperava livrar-se do exílio na embaixada do Equador conquistando uma cadeira no congresso australiano, mas recebeu pouco mais de 1% dos votos apenas. Também, com um vídeo não menos que constrangedor para sua campanha:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/wikileaks/10267443/Julian-Assange-sings-in-spoof-Australian-election-video.html

É aborto-australiaimportante saber que os australianos são mesmo conservadores. Não quero emitir nenhuma opinião pessoal, mas apenas para citar, os governadores debatem a legalização do uso medicinal da maconha e ainda assim apenas pacientes terminais poderão utilizar a droga e desde que não seja em lugares públicos. O casamento gay ainda tem um longo chão pela frente e na semana passada houve protesto contra o aborto. Como eu já disse, estou deixando de lado a minha opinião para mostrar os acontecimentos.

E o que o futuro reserva para os australianos? Tony Abbott vai ter que lidar com algumas questões importantes e urgentes, como a desaceleração econômica, a redução de imposto sobre as emissões de carbono (ou seja, a taxa cobrada pelas empresas que produzem efeitos negativos ao meio ambiente) e políticas mais severas quanto aos requerentes de asilo que vem ilegalmente para a Austrália.

Espero que esta matéria não tenha sido tão chata quanto você pensou no início e, acima de tudo, espero que tenha sido útil de alguma forma. Afinal, este blog, embora convide a qualquer pessoa interessada na Austrália, tem uma direção mais específica aos atuais e futuros intercambistas. E, diferentemente de quem vai simplesmente fazer turismo de temporada, para um intercambista, que vai “morar”, trabalhar e se relacionar no país por mais tempo, é fundamental conhecer mais do que simplesmente curiosidades e pontos turísticos. Demonstrar conhecimento e interesse sobre questões importantes do país que nos abriga pode fazer a diferença em muitos momentos.

* Com informações do portal do governo australiano

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