As más prestações de serviços australianas

Serviço de má qualidade não é exclusividade do Brasil. A Austrália, considerada país de Primeiro Mundo, também deixa a desejar em alguns quesitos e eu tenho dois exemplos próprios para provar isso: serviço de entrega postal e sistema de saúde.

australia_postDesde que cheguei a Melbourne enviei algumas cartas ao Brasil e todas elas chegaram aos seus destinos em cerca de duas a três semanas. Caixas com presentes, no entanto, nunca obtiveram o mesmo sucesso. O primeiro presente foi um livro que encaminhei pelo Australia Post (os Correios daqui) no dia 23 de agosto de 2013. Como enviar por avião chegaria entre 7 a 10 dias úteis e o valor seria um pouco mais de 40 dólares apenas para a postagem (o que sairia mais caro do que a encomenda), resolvi enviar via barco que custava quase a metade do valor, ou seja, AU$ 21,10. O único problema é que chegaria em até três meses. Como não era um presente com “data marcada” como aniversário ou Natal, resolvi mandar o livro nessas condições. Acontece que até hoje (final de Dezembro de 2013) o presente não chegou ao destino. Passaram-se quatro meses e nada.

Para minha surpresa (e revolta) fui perguntar à funcionária do Australia Post se poderia rastrear a encomenda e ela disse que não, pois alguma coisa poderia ter acontecido com o barco e ela não tinha como presumir isso. Ela nem quis ver o papel que eu tinha em mãos com o recibo dizendo que o prazo máximo era de três meses. Apenas disse para esperar “mais um pouco” para ver se chegava.

Enfim, mais de um mês antes do Natal comprei algumas lembrancinhas para minha família e, sem alternativa, me dirigi ao Australia Post novamente e mandei os presentes pelo modo avião com até 10 dias úteis (este não é o mais caro de todos, mas certamente não é tão econômico como a remessa por barco), o que me custou AU$ 43,30 pois a caixa estava com quase um quilo. O envio foi realizado no dia 21 de novembro, e agora já começo a achar que o avião com essas lembrancinhas possa ter caído justamente sobre o barco com o livro… vai saber. Porque os presentes de Natal deverão chegar apenas na Páscoa (se chegarem).

Voltei ao Australia Post e falei com outro funcionário (mais amigável desta vez) e ele disse ser impossível, porque o rastreamento só seria possível com o envio pelo modo mais caro, um serviço que é oferecido gratuitamente apenas para os países mais próximos (o que obviamente não inclui o Brasil).

Resultado: devo esperar até fevereiro para ver se as encomendas voltam para Melbourne (prazo estipulado por eles) só aí serei reembolsada pelo transtorno que estou passando e se não retornarem nem sei o que irá acontecer.

bupaOutra reclamação é sobre o sistema de saúde. Antes mesmo de sair do Brasil somos obrigados a pagar um plano de saúde chamado OSHC (Overseas Student Health Cover), exclusivo aos estudantes. O meu primeiro plano era da Allianz e nem utilizei, mas quando renovei o meu visto fechei acordo com o Bupa que tem diversas sedes no centro de Melbourne, onde continuo morando. Além disso é mais barato e me foi indicado com boas recomendações.

Apesar de ter feito um “check up geral” (ver neste post) antes de vir para a Austrália, recentemente precisei consultar um médico e ele descobriu uma inflamação (nada grave) com a necessidade de uma pequena cirurgia imediata. Marcamos a operação para o dia 20 de dezembro.

Paguei a consulta do meu bolso (AU$ 200) dos quais o Bupa reembolsar-me-á com apenas AU$ 85, afinal nem tudo tem 100% de cobertura e o esquema de reembolso é comum na Austrália.

cabriniMas o maior dos problemas não está aí. O doutor que me atendeu agendou a cirurgia em um hospital particular, Cabrini, o que me custaria AU$ 65 a cada dia que eu ficasse internada. Eu logo o adverti de que provavelmente o meu plano de saúde não pagaria isso e que eu preferia que fosse em um hospital mais perto da minha casa, mas ele me informou que os médicos daquele hospital eram da confiança dele, então concordei. A partir daí, o que era para ser um momento de preparação pré-operatório, tornou-se um tormento.

Primeiro fui ao Bupa para saber qual era a cobertura do meu plano, se eles pagariam ou não a minha cirurgia, e a funcionária disse que provavelmente pagariam tudo, mas teria que primeiro saber o “número do procedimento” (não entendi muito do que se tratava, mas deduzi que teria que pegar este número com o hospital). Liguei para lá e me informaram que eu não tinha nenhuma operação marcada (isso foi cinco dias após a consulta!) e que eu deveria telefonar para o médico que eu consultei para pegar este número.

Liguei, então, para secretária do consultório, que me disse que tinha acabado de enviar o formulário. Enfim peguei o tal número e fui ao Bupa. Outro pesadelo de empurra-empurra: disseram que o plano cobriria quase tudo, mas não me informaram sobre a carência. Como meu plano tinha menos de um ano, eu não receberia absolutamente nada.

Até então eu não sabia o valor da cirurgia e tive que tornar a ligar para o hospital, mas em vão. Eles só me passariam as informações um ou dois dias antes da cirurgia. “Como assim?”, perguntei. “E se eu não tiver o dinheiro? Como vou pagar pela operação? Preciso saber se tenho que emprestar dinheiro do banco!”

Muito “educada” a moça do outro lado da linha respondeu “eu não sei de memória os valores de todas as cirurgias. Comecei a gaguejar e ela respondeu “a pessoa que pode lhe informar isso não está aqui, ela ligará para você amanhã dando as informações” e só me restou agradecer.

Resultado: soube que a cirurgia custaria AU$ 2400,00 e resolvi não fazê-la, por isso estou usando métodos paliativos. Enfim, espero que ninguém passe por essas preocupações em Melbourne porque é horrível depender de instituições e não poder fazer nada.

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6 thoughts on “As más prestações de serviços australianas

  1. Por esse motivos acredito ser interessante fazer também o seguro de viagem internacional que cobre desde despesas com saúde até extravio de malas!

  2. Deise, sobre o valor da consulta, você pode procurar por médicos que cobrem valores iguais ou próximos ao MBS (por exemplo, os médicos das universidades cobram os valores do MBS e portanto você não gasta nada com a consulta eletiva). Quanto ao procedimento cirúrgico, que tal você procurar um médico que o realize em hospital público? O serviço público de saúde da Austrália (Medicare) é super reconhecido internacionalmente e as pessoas que moram lá falam muito bem do atendimento e da qualidade dos médicos.

    • Obrigada pelas dicas, Sheila. Eu sei que a consulta com o clínico geral por exemplo, é gratuita, mas se precisar de outro especialista a consulta é cobrada. Agora já voltei ao Brasil e aqui tenho plano de saúde que cobre quase tudo. Quando eu tentei agendar a cirurgia pelo serviço público australiano, me disseram que levaria cerca de três a quatro meses para realizar o procedimento, se fosse de urgência eu já teria morrido. Ainda bem que após três meses eu já havia retornado ao Brasil. De qualquer forma, valeu pelas dicas que podem auxiliar muitos leitores do blog. Abraço!

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