À procura de moradores

housemate-australiaQual é a probabilidade de encontrar de pessoas bacanas e quase 100% compatíveis para dividir o mesmo apartamento apenas com um anúncio num site gratuito de sharehouse? Pequena, certo? Pois eu dei sorte. Após o terror de conviver com as colombianas (ver neste post), finalmente tenho o prazer de compartilhar meu “lar” australiano com mais três estrangeiros, dois franceses e um argentino.

Apenas eu tenho o visto de estudante, ou seja, preciso estudar para permanecer na Austrália. Os outros membros da casa estão com o working holiday visa, que permite trabalhar por longos períodos e estudar apenas por quatro meses. Sendo assim, a maior parte do tempo a casa fica vazia, pois eles trabalham quase o dia inteiro. Não sinto a menor falta da bagunça, das festas e de toda baderna que acontecia por aqui.

O argentino chegou primeiro, ocupando a vaga de uma das colombianas que se mudara antes das outras. Ele chegou a conviver pouco tempo com as outras duas, e mesmo nesse curto período, experimentou um pouco do transtorno que era conviver com elas. Tivemos, por exemplo, que brigar pelos móveis, porque as colombianas queriam levar tudo o que outras pessoas haviam deixado na casa. A Unilodge (prédio onde moro) mobilia a casa com coisas essenciais como cama, sofá, microondas e televisão. Mas nós tínhamos mais armários, panela de arroz elétrica, uma minigeladeira e outras coisas que moradores anteriores deixaram na casa.  Como elas se mudariam para uma casa sem móveis, queriam levar tudo. O argentino e eu chegamos a nos revezar para não deixar a casa vazia, com medo de que elas fizessem “a limpa” e sumissem de vez.
Enfim, entramos em um acordo: alguns móveis foram levados e outros (a maioria) ficaram.

gumtreeAssim que elas se mudaram, colocamos o anúncio das vagas no Gumtree, o site mais popular da Austrália, em que você pode procurar ou oferecer moradia, trabalho, móveis usados ou qualquer coisa do gênero.

Como precisávamos encontrar ocupantes logo, para não arcarmos com a divisão do aluguel apenas em dois, o classificado, além de muitas fotos do lugar, ressaltava as facilidades do apartamento, como localização (centro de Melbourne, proximidade de trem e ônibus (um minuto), acesso a loja de conveniências (fica bem abaixo do prédio) e o valor (AU$ 580,00 por mês com todas as contas inclusas). Na introdução do anúncio deixamos claro que queríamos pessoas que gostassem de tranquilidade e que estivessem na Austrália com o mesmo intuito que o nosso: trabalhar/estudar.

No mesmo dia cerca de 8 pessoas vieram ver o apartamento. Italianos, franceses, chineses e até um australiano. Era engraçado entrevistar pessoas para ver o que tínhamos em comum e tentar imaginar como seria conviver com essas pessoas. O australiano, por exemplo, seria ótimo para praticar o meu inglês, mas me pareceu nervoso e tentava agradar demais. Nós estávamos a procura de um casal porque seria mais fácil já encontrar duas pessoas de uma única vez. Esse foi um dos fatores que nos levou a decidir pelos franceses. Já estava tudo certo e até pedimos AU$ 50,00 para cada um para garantir a vaga. Eles se mudariam dentro de duas semanas e então estaríamos “livres de todo o mal”.

Mas é claro que as coisas não poderiam ser tão fáceis pra mim. Um dia antes de assinarem o contrato, um dos franceses perdeu o emprego e preferiu não se mudar. Com isso desesperamo-nos a procurar outro morador do dia pra noite. Entrevista vai, entrevista vem, e ou as pessoas que escolhíamos não tinham condições de pagar o bond de AU$ 580,00 junto com o primeiro aluguel, ou com as que topavam o valor não nos identificávamos. No fim encontramos um outro francês que gostou do apartamento e tinha o dinheiro. Fechamos o acordo e fomos à recepção.

Daí surgiu outro problema. Recebemos a seguinte resposta dos administradores: “não queremos fazer o contrato com vocês porque as colombianas faziam muito barulho e não queremos ter o mesmo problema”. (E aqui eu usei termos leves para não reproduzir exatamente os adjetivos deles acerca das conterrâneas da Shakira). Pouco adiantou explicar que também estávamos cansados delas e que queríamos justamente manter uma casa mais tranquila. O contrato foi assinado apenas até o início de fevereiro e, pela nossa boa conduta, quem sabe consigamos renovar.

housemate-australia2Por isso mesmo, devo dizer que não tenho o que reclamar dos meus novos housemates. Sim, após a luta vem a vitória. Eles gostam de ler, lavam a louça e ainda oferecem chocolates. Parece mesmo um sonho.

A preocupação de encontrar pessoas para dividir um apartamento é muito comum aos brasileiros que chegam à Austrália. Por isso coloco abaixo alguns links onde pessoas oferecem apartamentos e outras procuram lugares para morar.

Atenção! É preciso estar atento aos golpes que muitas vezes acontecem por aqui. Quem está à procura de moradia e pode achar que encontrou o apartamento perfeito, no centro da cidade, pagando apenas AU$ 300,00 por mês… cuidado. Isso não existe. Geralmente os farsantes dão uma conta bancária pra receber o pagamento do bond e somem com o dinheiro. E uma das dicas é sempre pedir para visitar o apartamento porque os golpistas colocam fotos de casas que eles não são os reais proprietários e, consequentemente, não poderão mostrar o apartamento. Se eles insistirem em apenas enviar fotos, desconfie. Então, boa sorte com a procura porque nada é fácil aqui na Austrália.

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2 thoughts on “À procura de moradores

  1. Oi Deise, estou querendo ir para Melbourne estudar inglês, porém antes de fechar com a agência, já queria sair daqui com o apartamento alugado, dividindo com outras pessoas, para depois não me preocupar com isso, e também sei que irei gastar menos.Poderia me dar alguma alguma referencia em como faço isso de forma segura?Vi os sites que botasse como referencia ali, mas como vou saber que é seguro? porque não poderei ver como ele é realmente.Ou também se souber de alguém que está querendo dividir..
    Aguardo sua resposta

    • Olá, Mariane. É realmente difícil encontrar outro apartamento ainda estando no Brasil, mas indico dois lugares para procurar: Unilodge (onde fiquei – eles são supersérios e só alugam para estudantes/trabalhadores) e nas comunidades do Facebook como: Brasileiros em Melbourne. Sempre divulgam apartamentos para alugar e falam, inclusive, a partir de qual período você já pode morar lá. O problema é que são brasileiros e se seu foco é “fugir” deles para aprimorar o seu inglês… será um pouco complicado. Boa sorte!

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